segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Mudança*

«Mude. Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma do outro lado da cama… depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de TV, compre outros jornais… leia outros livros. Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado… outra marca de sabonete, outro creme dental… tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras poesias. Jogue fora os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se que a vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um novo emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas. Mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda.»

domingo, 25 de novembro de 2012

Que lindo...

Acho que lá em Cima alguém se anda a rir à pázada comigo... Just sayin'...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sentimentos

   Mundo, estou perdida...
   Estimo a amizade Dele acima de tudo. Não a quero perder, é uma das coisas que mais estimo e mais quero preservar, faz-me sentir bem, aquela palavra amiga sempre ali, pronta a sair. 
   Aquela injeção de confiança, de crença em ti quando parece que o mundo vai cair sobre os teus ombros, que tudo por que lutaste vem por água abaixo. Ele estava lá. Não me apanhou fisicamente mas ajudou, com poucas palavras foi capaz de me dar força (assim como outras pessoas, claro, mas a palavra que mais queria, pela qual mais ansiei, foi a Dele).
   Gosto imenso Dele. É uma verdade. Não consigo negar, já toda a gente viu, já toda a gente sabe. E não quero deixar ninguém constrangido com isso, longe de mim! Quero, sim, mostrar a pessoa que verdadeiramente sou, por baixo de toda esta parede de frieza; sim, existe uma pessoa debaixo desta parede! É uma pessoa de carne e osso, com sentimentos e necessidades como toda a gente, apenas tem uma necessidade de mimo e carinho maior do que aparenta...
   Debaixo de todo este ar frio, distante, pouco emocional, está uma rapariga que gosta de estar rodeada de bons amigos, daqueles que se contam pelos dedos das mãos, que gosta de boas conversas, que sente, que idealiza, que sonha. E sonha muito. Mais até do que seria considerado normal...
   E é isso precisamente que quero mostrar-te, Mundo. Que sou uma pessoa como as outras. Um pouco mais refilona, com bastante mau feitio, mas uma pessoa. E talvez todo esse mau feitio e rudeza façam parte da fachada que fui criando, como forma de proteção.
   Nunca me disseram um Amo-te sincero. Nunca me disseram um Quero-te. Tudo o que já me disseram foi de maneira a magoar. Por isso sou bastante ressentida. Sinto-me mal por isso. Sou uma rapariga de 18 anos que não passou pelo que a maioria das pessoas passa na adolescência: os namoros parvos, onde se erra mas também se cresce. Simplesmente não passei por eles. Vi amigas passarem por eles, aconselhei-as, dei-lhes o meu apoio quando não resultavam. Mas os meus, não os vi, nem os cheirei à distância.
   Por isso tenho esta parede.
   Esta parede que me protege o frágil coração que bate cá dentro mas ao mesmo tempo o impede de avançar mais...
   Esta parede que dá a impressão errada a muita gente, de que sou uma pessoa distante enquanto quem me conhece sabe como sou, quente e próxima...
   Esta parede que cada vez mais me atrapalha...


   Esta estúpida parede...


   Quem me dera deitá-la abaixo para Lhe poder mostrar como realmente sou, quem realmente está aqui debaixo...
   Quem me dera ter o poder para chegar perto da parede e dizer "Basta, deixa-me ser quem sou, já tiveste o teu tempo. Fizeste a tua função, agora deixa-me ser feliz".
   Mas não tenho... Sou demasiado fraca para isso...

   A parede enfraqueceu-me...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Música

Depois de seis anos de música cheguei a uma conclusão importante: nós, músicos, somos verdadeiros MÁGICOS. E perguntas tu, Mundo, como é isso feito? Pois bem, eu respondo:

Haverá artista algum que, a partir de folhas salpicadas com borrões de tintas e umas linhas e socorrendo-se apenas de uns pedaços de madeira e/ou de metal, consiga criar sons capazes de levar multidões a aplaudir e a pedir mais? Haverá artista algum que consiga fazer refletir em coisas tão díspares como a Natureza e a nossa própria loucura? Haverá artista algum que consiga replicar os sons naturais ou os sons febris de uma fábrica, sem recorrer a instrumento informático algum?

Não.

Creio que apenas os músicos ascendem a esta categoria tão única, creio que apenas nós conseguimos criar todo um mundo inteiro de sons e de mundos, mesmo, com tão poucos como duas pessoas, até às grandes orquestras de cento e tal pessoas que nos fazem suster a respiração nos filmes dos grandes estúdios cinematográficos.

Apenas os músicos, como artistas, existem desde antes de o Homem ser considerado Homem.

Apenas a música proporciona prazer momentâneo: após o concerto, a música permanece somente na memória; os grandes livros sempre estão escritos, as grandes fotografias sempre estão impressas.

Apenas a música tem aquele toque sublime, tão sublime que aparenta ser dado pelos Deuses das Mitologias Antigas.

Apenas a música...

Por isso eu digo, os músicos são mágicos; conseguem dar a um filme/série todo o seu quê de magia e de encanto, o qual sem a música não existia. Conseguem com que crianças problemáticas, que andavam à deriva pelas ruas, consigam ficar dentro de uma sala todas juntas, a trabalhar em conjunto, e tenham um futuro para onde olhar, o que não existia.

Por isso eu digo e tenho orgulho em dizer que sou música, sou instrumentista e não me cansarei de o ser.

E no dia em que deixar de o ser, será o dia em que morri.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pessoas

Sabes, Mundo, cada vez gosto menos de pessoas. Prefiro os bichos. Pode ser a minha visão ingénua mas as pessoas têm um nível de falsidade e mentira, eu incluída claro, não sou exceção, que os animais não têm e que nos fazem muitas vezes afastar delas. E muitas vezes sem motivo nenhum e a partir do nada. Mas quem sou eu para falar? Quando quero também sou uma completa bitch, digo mal de toda a gente, acho que amor com amor se paga e ponho isso em prática sempre que posso e tenho motivos para tal, não porque apenas me apetece. As outras pessoas também têm sentimentos e por isso não podem ser espezinhadas, desprezadas a belo prazer e ignoradas até à exaustão. Temos de as preservar ou então vamos todos dedicar-nos aos animais que são tão lindos e merecem todo o nosso respeito ou ainda mais!

Conseguias dizer 'Odeio-te' a esta cara, Mundo? No entanto a uma pessoa já e não custa, depois disso sente-se um certo alívio por já não termos a responsabilidade de ter de parecer bem a toda a gente. Porque esse é mesmo um dos grandes, se não mesmo o maior, dos meus defeitos: ter a mania de agradar a toda a gente para ser aceite e não criticada. Talvez tenha criado isso um pouco como mecanismo de defesa, durante muito tempo fiz parte do grupinho à parte que queria sempre ir com os 'fixes' e não conseguia e dentro do próprio grupo era comigo que implicavam sempre, agora quero sempre ir atrás da manada e só quando alguém me dá um safanão é que consigo acordar. Sim, consigo olhar para as situações na altura e ser crítica mas passa e volto ao mesmo, depois de comentarem comigo e de facto me chamarem à atenção determinado pormenor é que eu consigo pensar 'pois é, como é que não me apercebi antes? Ele/a está a agir mal e eu a ir atrás' e aí saio da bruma e consigo caminhar pelos meus próprios pés. Até à próxima vez ...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Energia

Querido Mundo,

Esta altura tem sido de grande reboliço: testes, atividades musicais que me ocupam grande parte do tempo. Mas ainda bem que assim é, acredito que quanto mais tempo estivermos parados, pior é. Começamos a estagnar e, com a estagnação, vem uma data de problemas: deixamos de sonhar, de ter capacidade de gestão e, a nível físico, os quilitos a mais.

Por isso, há que haver movimento! Sem movimento, não há desenvolvimento, não há progresso. Sem movimento, não há senão a morte ou um grande abre-olhos (passo a expressão) para nos tirar do torpor que se instalou e que teima em não partir.

Há que nos movermos, há que haver tanto ação como reação (quem teve umas luzes de filosofia entende a diferença), há que acordar para a vida enquanto é tempo, enquanto se tem tempo. Há que pôr em prática novos projetos, há que dinamizar novas ideias, há que ter energia!

Deixo hoje esta mensagem a ti, Mundo. Há tanta gente que precisa de a ouvir, muitos dos quais nem sequer o sabem. E essa é a verdade mais triste ...

Beijocas desta Rapunzel.