Estimo a amizade Dele acima de tudo. Não a quero perder, é uma das coisas que mais estimo e mais quero preservar, faz-me sentir bem, aquela palavra amiga sempre ali, pronta a sair.
Aquela injeção de confiança, de crença em ti quando parece que o mundo vai cair sobre os teus ombros, que tudo por que lutaste vem por água abaixo. Ele estava lá. Não me apanhou fisicamente mas ajudou, com poucas palavras foi capaz de me dar força (assim como outras pessoas, claro, mas a palavra que mais queria, pela qual mais ansiei, foi a Dele).
Gosto imenso Dele. É uma verdade. Não consigo negar, já toda a gente viu, já toda a gente sabe. E não quero deixar ninguém constrangido com isso, longe de mim! Quero, sim, mostrar a pessoa que verdadeiramente sou, por baixo de toda esta parede de frieza; sim, existe uma pessoa debaixo desta parede! É uma pessoa de carne e osso, com sentimentos e necessidades como toda a gente, apenas tem uma necessidade de mimo e carinho maior do que aparenta...
Debaixo de todo este ar frio, distante, pouco emocional, está uma rapariga que gosta de estar rodeada de bons amigos, daqueles que se contam pelos dedos das mãos, que gosta de boas conversas, que sente, que idealiza, que sonha. E sonha muito. Mais até do que seria considerado normal...
E é isso precisamente que quero mostrar-te, Mundo. Que sou uma pessoa como as outras. Um pouco mais refilona, com bastante mau feitio, mas uma pessoa. E talvez todo esse mau feitio e rudeza façam parte da fachada que fui criando, como forma de proteção.
Nunca me disseram um Amo-te sincero. Nunca me disseram um Quero-te. Tudo o que já me disseram foi de maneira a magoar. Por isso sou bastante ressentida. Sinto-me mal por isso. Sou uma rapariga de 18 anos que não passou pelo que a maioria das pessoas passa na adolescência: os namoros parvos, onde se erra mas também se cresce. Simplesmente não passei por eles. Vi amigas passarem por eles, aconselhei-as, dei-lhes o meu apoio quando não resultavam. Mas os meus, não os vi, nem os cheirei à distância.
Por isso tenho esta parede.
Esta parede que me protege o frágil coração que bate cá dentro mas ao mesmo tempo o impede de avançar mais...
Esta parede que dá a impressão errada a muita gente, de que sou uma pessoa distante enquanto quem me conhece sabe como sou, quente e próxima...
Esta parede que cada vez mais me atrapalha...
Quem me dera deitá-la abaixo para Lhe poder mostrar como realmente sou, quem realmente está aqui debaixo...
Quem me dera ter o poder para chegar perto da parede e dizer "Basta, deixa-me ser quem sou, já tiveste o teu tempo. Fizeste a tua função, agora deixa-me ser feliz".
Mas não tenho... Sou demasiado fraca para isso...
A parede enfraqueceu-me...